domingo, 17 de janeiro de 2016

MARCELO ADIFA




OAutor

Além, fosse mais um dia
o olhar pela janela vazia
aberta, alma que recebe
e nada tem por oferecer

E nem tudo que por certo
tenha a força das nuvens
é capaz de suplantar Deus
lá fora, vento em choque
onde as brisas se findam

O homem, fortaleza de si
pouco entende das coisas
da natureza e realiza,
só, a única ação
que dele se espera:

mantém a janela aberta




                                                                          Marcelo Adifa



terça-feira, 12 de janeiro de 2016

TRAVESSIA




Aqueles que atravessam a cidade,
atravessam a eternidade.
Os bares, as esquinas e as janelas
não apontam os mortos,
mas há uma afinidade que os une
e revela a solidão dos homens;
a existência dos homens no mundo
e o nome pelo qual a vida é desconhecida.
Aqueles que atravessam a cidade,
atravessam a si mesmos,
aleatoriamente,
como uns loucos sem um mapa à vista.
Se de algum modo existem,
não sabem onde estão e aonde vão.
A cidade é o labirinto dos homens,
o que os move para o encontro atrás da porta
onde a vida se chama travessia.



                                                                          José Saddock de Albuquerque

domingo, 10 de janeiro de 2016

BUSCA



Anchieta Rolim


Ando descalço
Pelo asfalto
O sangue escorre
O canto é triste

Palavras
Vazias

Corro atrás
Talvez, de uma fuga
Do que não sei

Em meus sonhos
Só os pesadelos
Acordam-me do medo
Do que amanhã serei

     
                                                                           Anchieta Rolim



sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

SAARA


Wilson Gorj


Nas dunas do seu corpo
me perco sedento,
em delírios suor e sal.

Oásis é o monte de Vênus
para a sede da carne.
A língua se banha, afinal.



                                                                              Wilson Gorj




terça-feira, 5 de janeiro de 2016

POEMA DE SANGUE


Yuri Hícaro

Pendulando ao vento,
em nível pleno e próspero
de consciência,
sigo prostrado
sob o curso do rio.
Minha casa
é o lar dos perdidos,
o lar dos deslocados, onde Cérberos
regurgita sua virgília
no relinchar assombroso
de novos
dias...

Cores fúnebres que se misturam n'alvorada.


                                                                             Yuri Hícaro