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Gregório de Matos |
A cada canto um grande conselheiro,
que nos quer governar cabana e vinha;
não sabem governar sua cozinha,
e podem governar o mundo inteiro.
Em cada porta um bem frequente olheiro,
que a vida do vizinho e da vizinha
pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha,
para o levar à praça e ao terreiro.
Muitos mulatos desavergonhados,
trazidos sobre os pés os homens nobres,
posta nas palmas toda a picardia,
estupendas usuras nos mercados,
todos os que não furtam muito pobres:
e eis aqui a cidade da Bahia.
É possível constatar sobretudo uma coisa. Sendo feita a comparação entre o conteúdo deste soneto escaldante do século XVIII,e a realidade sócio-cultural do Brasil hoje...NADA MUDOU!!!
ResponderExcluirFoi aí no Barroco que o nosso país começou a caminhar em busca de uma indentidade própria à nossa literatura.
Mmuito sabido!
ResponderExcluirQue os 'bocas do inferno' continuem o legado do Saudoso Gregório de Matos e prosigam, através da arte, denunciando e relatando o descaso em que vivemos...
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