![]() |
O cineasta do Novo Cinema Brasileiro |
O morto
não está de sobrecasaca
não está de casaca
não está de gravata.
O morto está morto
não está barbeado
não está penteado
não tem na lapela
uma flor
não calça
sapatos de verniz
não finge de vivo
não vai tomar posse
na Academia.
O morto está morto
em cima da cama
no quarto vazio.
Como já não come
como já não morre
enfermeiras e médicos
não se ocupam mais dele.
Cruzaram-lhe as mãos
ataram-lhe os pés.
Só falta embrulhá-lo
e jogá-lo fora.
![]() |
Glauber Rocha |
Este poema do mestre Ferreira Gullar homenageia
ResponderExcluiro maior ícone do cinema nacional, este visionário
do exílio, mau compreendido em sua fotografia transbordante, inchada...responsável pela criação do Novo Cinema Nacional, e por críticas ácidas à mau quista ditadura militar...Obrigado glauber, obrigado Ferreira!!!
Mas os grandes mestres da Literatura são os únicos que nunca morrem.Os poemas são como Seqüelas que adentram na alma como chagas e ficam na memória da gente pra sempre!Belíssimo poema de Ferreira Gullar.
ResponderExcluirNós, brasileiros, criamos ídolos, brincamos com eles como bonecos de panos, e depois os jogamos no baú do esquecimento. Que o mesmo não aconteça com esses dois.
ResponderExcluir