quarta-feira, 23 de setembro de 2015

SOFRO DE PERDAS E ACHADOS



Clóvis Neto


Sofro de perdas e achados.

Todos os dias, nos momentos mais difusos,
Inesperados,
Perco um pouco de minha alma.
Atrapalhado, tento erguer a mão, tímido,
Para perguntar: "por que agora?"

Mas nunca consigo sequer mover-me
Diante de tal afronta a um ser alheio.

Então sempre lembro que sofro.
Sim, sofro.
De perdas e achados.

E logo em um outro momento, encontro um pouco d'alma,
Lívida, muito viva,
Que me faz a tudo entender.
Um olhar desnudo e mudo.

Depois a vida começa a fazer algum sentido,
Mostrando-se toda, completa,
Absoluta.

Pois sofro, é verdade que sofro.
De perdas e achados.

Mas sofro mesmo
é de ser humano.


                                                                             Clóvis Neto





Um comentário:

  1. Poema indicado por Michelle Ferret, Jornalista e poetisa.
    Fonte: Preá 27 Maio, Junho, Julho 2014

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