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Leonam Cunha |
Não controlamos as angústias
com fita métrica. Na intenção
de aninhar, coser abraços,
gozar e amar com precipício, eu vou.
Eu e alguém - que não chega,
que não chega porra não chega não -
seriamos aquele terreno abandonado,
por onde as moscas sobrevoam,
e se sobrevive bem com paus
e espinhos. Não quero
que me olhes como se me fosses
ver de novo, como se pudéssemos
esquiar em vasto passado.
Eu e alguém - que não chega,
que não chega porra não chega não -
seríamos a fotografia
de uma ancha tragédia efêmera,
um novelo sem começo nem fim,
os ossos de dois fósseis mortos de prazer
descobertos no futuro da civilização.
Leonam Cunha
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